O briefing
Um estúdio de direção de arte que vende o próprio olhar. Nesse terreno, o site não é um material de venda: é a primeira peça do portfólio. Se for banal, anula o discurso.
O estúdio reivindica quatro campos — identidade, direção de arte, motion e som, web interativa — e seis trabalhos. O risco era empilhar tudo.
As restrições
- O site é julgado antes dos projetos. Um desacerto de diagramação e quem visita não abre mais nada.
- Seis trabalhos, quatro disciplinas: o bastante para saturar uma página inicial.
- Nenhuma imagem pode ser cortada: para um diretor de arte, um enquadramento estragado é uma falta profissional.
As decisões
Um índice, não uma galeria.
Os seis trabalhos são uma lista, não uma grade de miniaturas. O título sustenta, a imagem se revela ao passar o cursor. Quem visita percorre primeiro nomes — Halo, Terrain Vague, Onde, Sédiment, Cinabre, Veine — e escolhe. Uma grade de seis imagens impõe seis decisões simultâneas; uma lista impõe uma de cada vez.
A abordagem antes dos serviços.
A página diz como o estúdio trabalha antes de dizer o que ele vende. Num trabalho criativo, o método é o produto: quem compra uma identidade compra sobretudo uma maneira de decidir. As quatro disciplinas chegam depois, como consequências.
A restrição apresentada como material.
O discurso do estúdio assume que a restrição faz o trabalho, e o site encena isso: uma única família tipográfica, nenhuma cor de destaque fora dos visuais, uma única largura de coluna. O site demonstra a tese que enuncia.
O resultado
Uma página inicial que se sustenta em quatro movimentos — assinatura, trabalhos, abordagem, serviços — e seis estudos de caso acessíveis em um gesto. Nenhuma imagem cortada: cada visual é servido em sua proporção original.
O que eu faria diferente
O hover carrega toda a descoberta dos projetos. No celular ele não existe — o índice vira uma lista de títulos sem imagens. Eu desenharia a versão tátil primeiro, com uma prancha visível por projeto, e manteria o hover como um refinamento de desktop.
